Golpes com falso médico: como se proteger
Publicado em 26/09/2026 · atualizado em 16/10/2026
Casos de pessoas atendendo como médicos sem jamais terem se formado aparecem com frequência no noticiário. Alguns atuaram por anos em hospitais. Outros operam clínicas de estética ou vendem consultas online. Quase todos poderiam ter sido descobertos com uma consulta de um minuto ao CRM. Este guia lista os golpes mais comuns e o que fazer.
Os golpes mais comuns
Uso do CRM de outra pessoa. O golpista pega o nome e o número de um médico real, muitas vezes homônimo ou falecido, e atende com essa identidade. Na consulta ao CFM, o número existe e está ativo. O que denuncia é a diferença de nome, de idade ou de estado.
Diploma falso ou não revalidado. Pessoa que cursou medicina no exterior sem revalidar, ou que comprou diploma, e consegue emprego em clínica que não confere o registro. Na consulta ao CFM, não aparece.
Clínica de estética. Profissional de outra área, ou sem nenhuma formação, aplica procedimentos invasivos, como preenchimento, botox, lipo com laser, e se apresenta como "doutor". Muitas vezes há um médico responsável técnico no papel que nunca aparece.
Telemedicina fantasma. Sites e perfis vendem consultas e atestados a preços baixos. O "médico" nunca aparece em vídeo, os documentos vêm com CRM inexistente ou de terceiros.
Falso especialista. Médico com CRM real se anuncia como cirurgião plástico, dermatologista ou outra especialidade sem ter o título. Não é falso médico, mas é propaganda irregular e pode significar procedimento feito por quem não tem a formação. Veja como saber se o médico é especialista.
A checagem de um minuto
- Pergunte o nome completo e o CRM com a UF. Todo médico informa sem problema.
- Consulte na busca de médicos do CFM.
- Confira: o registro está ativo? O nome bate exatamente? A especialidade anunciada está registrada com RQE?
- Se algo não bate, não siga com o atendimento.
Faça isso antes de pagar, antes de tirar a roupa para exame e, principalmente, antes de qualquer procedimento invasivo.
Sinais que devem acender o alerta
- Não informa o CRM ou muda de assunto quando perguntado.
- O número informado "está em processo de transferência" ou "está saindo".
- Placa, site e cartão dizem "Dr." sem sigla nem número de conselho.
- Cobra em dinheiro ou Pix para conta de pessoa física e não emite nota ou recibo.
- Consultório em local improvisado, sem alvará da vigilância sanitária visível.
- Promessas de resultado garantido, principalmente em estética e emagrecimento.
- Preço muito abaixo do mercado para procedimento complexo.
Se você já foi atendido por um falso médico
- Procure um médico de verdade para avaliar sua saúde, principalmente se houve procedimento, medicação ou prescrição.
- Guarde tudo: receitas, comprovantes, mensagens, fotos, antes e depois.
- Registre boletim de ocorrência por exercício ilegal da medicina e, se houver, estelionato e lesão corporal.
- Denuncie ao CRM do estado, que pode fiscalizar o local e interditar.
- Denuncie à vigilância sanitária do município.
- Se houve dano, procure um advogado para a reparação civil.
O guia como denunciar exercício ilegal da medicina detalha cada etapa.
Para hospitais e clínicas
A contratação de médico deve incluir a consulta ao CFM e a conferência do diploma junto à instituição de ensino. Manter no CNES apenas profissionais com registro ativo é obrigação do estabelecimento. Casos de falso médico em hospitais quase sempre envolvem falha nessa conferência, e o estabelecimento responde junto.
O papel deste site
As páginas de médicos aqui ajudam a localizar o profissional e o número do CRM a partir do nome ou da cidade. A confirmação da situação do registro deve ser feita na busca do CFM. Os dois juntos cobrem a maior parte dos golpes descritos acima.