Atestado médico falso: como verificar a autenticidade
Publicado em 26/09/2026 · atualizado em 16/10/2026
Atestados falsos circulam à venda em redes sociais e sites, e muitos são cópias com o nome e o CRM de médicos reais. Verificar leva poucos minutos e evita problemas para empresas, escolas e para o próprio médico cujo nome foi usado. Este guia mostra como fazer.
Sinais de alerta
- Nome do médico, CRM ou nome da clínica com erros de grafia.
- Número do CRM sem a UF ou com quantidade de dígitos fora do padrão do estado.
- Carimbo borrado, torto ou claramente colado por edição de imagem.
- Assinatura diferente em atestados do mesmo médico.
- Data de emissão em fim de semana ou feriado em clínica que não funciona nesses dias.
- Período de afastamento longo sem justificativa e sem CID.
- Papel timbrado de hospital para uma consulta simples de consultório.
- O funcionário apresenta sempre atestados do mesmo "médico", de especialidade que não tem relação com as queixas.
Nenhum sinal isolado prova falsificação. Eles indicam que vale a pena verificar.
Passo 1: confira o CRM
Consulte o número e a UF na busca de médicos do CFM. Três resultados possíveis:
- O número existe e o nome bate: o médico é real. Isso não prova que ele emitiu o atestado, apenas que o registro existe.
- O número existe mas é de outra pessoa: forte indício de falsificação.
- O número não existe ou está cancelado: o documento não é válido.
Passo 2: valide com quem emitiu
Documentos digitais têm QR code ou link de validação. Acesse e compare com o papel. Para atestados em papel, ligue para o consultório ou hospital e pergunte se o atestado foi emitido naquela data para aquela pessoa. O estabelecimento pode confirmar a emissão sem revelar o diagnóstico.
Não ligue para números de telefone impressos no próprio atestado suspeito; procure o contato do consultório por conta própria.
O que o empregador pode fazer
- Conferir o CRM e a autenticidade do documento.
- Pedir confirmação de emissão ao consultório.
- Exigir que o atestado tenha nome, data, período e identificação do médico.
- Encaminhar o funcionário ao médico do trabalho para avaliação, dentro das regras da empresa.
O que o empregador não pode fazer
- Exigir o CID no atestado. O código só aparece com autorização do paciente.
- Pedir ao médico detalhes do diagnóstico.
- Recusar atestado válido por não conhecer o médico ou a clínica.
- Divulgar a condição de saúde do funcionário.
Consequências para quem usa atestado falso
- Trabalhista: demissão por justa causa, por ato de improbidade.
- Criminal: uso de documento falso (artigo 304 do Código Penal), com pena que segue a da falsificação, de um a cinco anos de reclusão quando o documento é público, ou falsidade ideológica.
- Escolar: reprovação por faltas e processo disciplinar.
Quem vende ou fabrica o atestado responde por falsificação de documento e, se for médico, por falsidade de atestado médico (artigo 302), além de processo ético no CRM.
O médico que teve o nome usado
Se você é médico e descobriu atestados com o seu nome que não emitiu, registre boletim de ocorrência e comunique o CRM do seu estado. Guarde cópias dos documentos falsos. Isso protege você de responsabilização e ajuda a investigação.
Onde denunciar
- Polícia Civil: boletim de ocorrência por falsificação e uso de documento falso.
- CRM do estado: se houver médico registrado envolvido na emissão.
- Plataformas: denuncie os perfis que vendem atestados.
Veja também como conferir o CRM em receitas, atestados e laudos.